
eu via ele, sempre.
sempre acertava no alvo errado.
espereva o último momento pra se desculpar.
assistia e falava:
-vamos tô com pressa.
ele amava hoje.
ele não amava amanha.
ele se calava.
ele falava tudo e não dizia ser o problema.
eu só sei que ele tinha muitos iguais a ele.
e totalmente diferente.
ele está certo, eu sei.
ele só não precisava acreditar nisso o tempo todo.
chorava no carro, amava no onibus, cantava o tempo todo.
o que ele mais tinha.
o que ele mais era.
era um abraço de desculpa.
todo tempo, toda hora
ele quer fazer brilhar em você sempre o que ele não consegue fazer brilhar nele.
e tudo isso nunca vai mudar, vai vendo.

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